Sáb. 05 Set | 21h | Cine-teatro Louletano
Entrada: 10€ bilhetes BOL
Sinopse:
A colaboração artística entre Francisco Camacho e Meg Stuart remonta aos primeiros trabalhos de Stuart, nomeadamente Disfigure Study (1991).
A sua profunda ligação pessoal desenvolveu-se através de vários projectos, como o aclamado BLESSED, um solo que Stuart criou para Camacho, que o interpreta desde 2007. Agora, pela primeira vez em três décadas, reúnem-se em palco para um dueto, inspirado nas misteriosas ruínas Nurágicas da Sardenha. No crepúsculo desta antiga civilização, gigantes de pedra guarda- vam as costas da ilha - vestígios de uma cultura rica que se foi desgastando lentamente. Ultrapassando as paredes dos museus, Camacho e Stuart investigam as lacunas, as ausências nos registos. O que resta? O cenógrafo Gaëtan Rusquet, o designer de som Vincent Malstaf e o iluminador Frank Laubenheimer criam uma paisagem que, tal como os sítios Nurágicos, pode ter vindo do futuro, ou mesmo existir fora do tempo. Neste espaço, Camacho e Stuart escavam artefactos emocionais. Procuram o contraste em tamanho e escala: poses minimalistas fervilham de sentimento, a raiva e a força são comprimidas e refreadas. Com as suas vozes, transmitem uma linguagem perdida, tecendo ligações que atravessam universos. Encontrando-se através do ritmo e da repetição, recuam e aceleram, codificam e decifram, criam e quebram padrões. Ao ouvir o passado, constroem uma arqueologia do presente que não distingue entre o místico e o mundano.
Coreografia: Francisco Camacho, Meg Stuart
Performance: Francisco Camacho, Meg Stuart, Gaëtan Rusquet
Cenografia: Gaëtan Rusquet
Sonoplastia: Vincent Malstaf
Desenho de Luz e Direção Técnica: Frank Laubenheimer
Assistência Artística: Márcio Kerber Canabarro
Assistência Técnica: Tom De Langhe
Olho Externo: Sigal Zouk
Produção: EIRA / DAMAGED GOODS
Coprodução: Fuorimargine, Perpodium, Tanz im August/HAU Hebbel am Ufer
Apoios: Governo de Portugal/Ministério da Cultura, Direção Geral das Artes, Câmara Municipal de Lisboa, Governo Flamengo, Comissão da Comunidade Flamenga e Governo Federal Belga/Cronos Invest
Francisco Camacho
Apresentou espetáculos cocoreografados com Mónica Lapa, Vera Mantero, Carlota Lagido, Vera Mota, Sílvia Real, Meg Stuart, Elena Córdoba, Magnum Soares e Kotomi Nishiwaki, assim como peças coencenadas com Fernanda Lapa e Miguel Abreu. Encenou o monólogo “Ódio” de Jorge Humberto Pereira para Fernanda Lapa e a peça “A Companhia dos Lobos” de Angela Carter para a Escola de Mulheres.
Realizou intervenções coreográficas para uma obra de Pedro Cabrita Reis no Museu de Arte Contemporânea de Bona, para a exposição de Francis Bacon no Museu de Serralves, e ainda para a exposição “Jeff Wall – Time Stands Still. Fotografias, 1980–2023”, no MAAT, a par dos projetos para espaços não-convencionais ‘Performers Anónimos’ e ‘Danças Privadas’.
Destaca-se ainda a exposição “Francisco Camacho 1982/2022. À volta da dança: rastos e presenças”, que esteve patente no Teatro da Cerca de São Bernardo (Coimbra) e no Museu Nacional do Teatro e da Dança (Lisboa), a primeira sobre dança contemporânea nesta instituição. Depois da passagem pelo Ballet Gulbenkian enquanto estagiário (1984/86), dançou com Paula Massano, coreógrafa pioneira da dança contemporânea portuguesa e, posteriormente, com Creach/Koester, Alain Platel, Carlota Lagido, Miguel Moreira e Filipa Francisco, entre outros coreógrafos. Destaca a colaboração regular com Meg Stuart, em particular como protagonista de “BLESSED”, contando já mais de cem apresentações, e, mais recentemente com a cocriação “steal you for a moment”. Participou como ator em espetáculos teatrais de Lúcia Sigalho, Miguel Moreira e Tonan Quito.
Estudou dança e teatro em Portugal (Companhia Nacional de Bailado e Ballet Gulbenkian) e em Nova Iorque (Merce Cunningham Dance Studio, Movement Research, Susan Klein School e Lee Strasberg Theatre Institute), e teve formação adicional em voz, guionismo e escrita criativa. Ensina regularmente em Portugal e no Estrangeiro.
Meg Stuart
A obra de Stuart vai desde solos e duetos, como Blessed (2007), Hunter (2014) e steal you for a moment (2024), até coreografias em grande escala, como VIOLET (2011), Celestial Sorrow (2018) e CASCADE (2021). Ao longo da sua carreira, explorou sempre o seu próprio corpo como um local, atuando regularmente nas suas próprias peças e projetos paralelos. Stuart cultiva ligações duradouras com vários artistas, desafiando e perturbando a sua própria prática ao criar trabalhos em diálogo com outras pessoas. O trabalho de Meg Stuart viaja pelo circuito teatral internacional e também foi apresentado na Documenta X, em Kassel (1997), na Manifesta7, em Bolzano (2008) e na PERFORMA09 e MoMa (2013), em Nova Iorque. Recebeu vários prémios como reconhecimento da sua obra, entre os quais o Leão de Ouro, pela sua carreira na Biennale de Veneza, em 2018, um Bessie Award, em 2008, bem como o Deutscher Tanzpreis (2018), o Grand Prix de la Danse de Montréal (2014).